terça-feira, 22 de julho de 2008

14. VÁRIOS QUILOS - PRA TENTAR TE ESQUECER


Você me mandou te tirar da cabeça
Não daria certo, é melhor que eu te esqueça
Por mais duro e doído que isso pareça
Pra que não aconteça d'eu ter que sofrer

Sem ter mais resposta ou sequer argumento
O meu travesseiro virou meu alento
E pra curar de vez esse meu sofrimento
Segui atento a receita da minha Vó

Que diz que "remédio pra amor violento
É dormir bem quietinho, que de noite o vento
Sopra mansinho pra longe o tormento
Leva tudo embora e de dia, sem dó

Quando o galo canta, o sol se levanta
Um café bem fresquinho queimando a garganta
Espanta a tristeza, e a paixão que foi tanta."
E assim minha Vó me fez prometer:

"Só acordar depois de te esquecer."


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O Brasil virou super-potência
Os Estados Unidos é só decadência
A ciência curou tudo quanto é doença
E a falência do euro não afeta a exportação

O meu time é deca-campeão
Na caatinga arroz brota do chão
Nunca mais teve corrupção
A nação dá até gosto de ver

Tem comida pra dar e vender
Água a rodo pro mundo beber
As florestas voltaram a crescer
E não tem mais criança no mundo
[que não saiba ler

Cem anos depois que eu dormi pra tentar te esquecer.


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Na Etiópia não existe mais fome
Mao-Tsé já não passa de um nome
A China agora de tudo consome
E o homem esqueceu o que é preconceito

Todos têm seu devido respeito
O poder da justiça agora é perfeito
O imposto cobrado retorna direito
E o conceito de paz hoje é infinito

Ninguém mais resolve o problema no grito
Não existe mais jovem cometendo delito
A violência hoje em dia não passa de mito
E não tem mais conflito pra combater

Mil anos depois que eu dormi pra tentar te esquecer.


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Quando todos já podem voar sem ter asa
Os robôs fazem todo o serviço de casa
Viajar pelo espaço não é mais coisa da Nasa
Eis que vaza a notícia impensável:

A riqueza terrestre, quase inesgotável
Está num estado totalmente deplorável
O término do mundo é inevitável
É incontestável a chegada do fim

Alguns conformados vão pra um botequim
Outros não querem terminar assim
E eu ainda sem poder retornar a mim
Continuo na cama sem nada saber

Quinhentos mil anos depois que eu dormi pra tentar te esquecer.


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A terra enfim explodiu
Foi todo mundo pra puta-que-pariu
Mas teve um fenômeno que ninguém viu
Nem quem partiu em nas naves de aço:

Meu corpo lançado no espaço
Mesmo com o tempo escasso
As camadas orbitais ultrapasso
E salvo me faço da extinção do planeta

Me transformo agora em cometa
Com núcleo, corpo e rabeta
E como um astro de estranha silhueta
Risco o céu de um planeta distante

Iluminando estranhos amantes
Que interrompem seus beijos ofegantes
Fazem juras de amor com vozes destoantes
E seus olhos mutantes buscam o céu só pra ver
O cometa que dorme ainda pra manter
A promessa que sua Avó o fez fazer

Bilhares de anos depois que eu dormi pra tentar te esquecer.

3 comentários:

Mara disse...

Lindo! parabéns!

San disse...

Vou colocar teu texto no meu orkut simmmmmmm...chorei!

Anônimo disse...

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